sexta-feira, 7 de agosto de 2009

01 - Novidade

- Filho... Acorda! Acorda Miguel, anda meu filho... Seu pai acabou de subir com o jornal...
Minha mãe me agitava na cama, me balançado, como um vendaval balança uma árvore. Deitado de bruços e com a cara enterrada no travesseiro, levantei a cabeça só um pouco, para olhar, com os olhos semi-cerrados, meu relógio de cabeceira. 6:50.
Que ótimo. Minhas curtas férias, esperando o resultado do vestibular e minha mãe me acordando a essa hora. Não pensei duas vezes e enterrei novamente a cara no travesseiro.
- Filho... - A voz de minha mãe mudou de suave para séria - Seu pai está lá fora procurando seu nome na lista de aprovados na UFBA e você vai lá fora agora. Anda!
Ela começou a puxar minha coberta. Isso era golpe baixo! Mas, assim que a ficha caiu, e eu me lembrei que o resultado do vestibular saia hoje, dia 28 de Janeiro de 2008. Isso me deu uma pontinha de animação, mas ela nem um pouco superou meu sono e minha preguiça.
Levantei forçadamente, com minha mãe me empurrando pelos ombros. Atravessei a sala parecendo um zumbi, vestido apenas com um samba canção e de meias. O sol que entrava pela janela me ofuscou um pouco a visão e, percebendo que, não teria mais chances de voltar para dormir, resolvi tentar (mas só tentar) expulsar minha preguiça. Me espreguicei, esticando bem os braços e depois, cocei os olhos. Só depois, reparei em meu pai. Ele me fitava com os olhos cintilando, como quem reprime fortemente algumas lágrimas. Ele balançou a cabeça afirmativamente e minha mãe soltou um som meio abafado, levando as mãos a boca. Meu pai se levantou do sofá e veio em minha direção. Agora, meu sono estava a mil milhas de distância. Ele caminhou lentamente em minha direção, abrindo um largo sorriso e um grande abraço.
- Parabéns meu filho! Parabéns! - Sua voz era repleta de emoção e orgulho. Ele me deu um abraço apertado e caloroso, um abraço que jamais irei esquecer. Os braços de minha mãe se uniram ao nosso abraço e ela enterrou seu rosto molhado de lágrimas em minhas costas nua. Ficamos ali, unidos por um longo tempo. Meus pais sussurravam palavras do tipo: "parabéns..."; "esse é o meu garoto..."; "eu já sabia meu filho..."; entre muitas outras frases e sussurros. Meu pai pigarreou, talvez para encontrar voz.
- E então meu universitário, não quer se certificar que seu pai não está caducando e que procurou no lugar certo? - Ele me apontou o jornal e cima do sofá e eu fui olhá-lo. Felizmente estava lá, na coluna de engenharia mecânica, o meu nome:
Miguel Ferreira Franco.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Prólogo

Nossa vida é curta... Rápida... Passageira... Qualquer um desses adjetivos, ou até todos eles. Mas a minha é, ou melhor, foi curta demais para fazer o que deveria. Para dizer mais "eu te amo"...
E agora, ando sem destino e sem parar. Quem eu quero, não me vê, nem sabe que estou ao seu lado quando ela chora, ou quando ela chama meu nome baixinho...
A minha vida, se é que isso que tenho agora é vida, será estar com ela, todo o tempo, de todas as formas. Serei seu chão quando ela desabar, serei o vento que tocará sua face quando ela precisar de carinho, serei seu ar quando ela suspirar, mesmo que por uma outra pessoa.